25 de setembro de 2026 7 min de leitura

Qual o valor da multa por não avaliar riscos psicossociais (NR-1)?

A NR-1 exige a avaliação de riscos psicossociais no PGR. Sem o laudo, a multa parte de R$ 6.708,54 por empregado exposto — e o prejuízo pode ir muito além da fiscalização.

Desde 26 de maio de 2025, a NR-1 exige que toda empresa com empregados CLT inclua os riscos psicossociais no inventário do seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O item 1.5.3.1.4 do texto vigente deixa claro: perigos ligados à organização do trabalho, relações interpessoais, liderança, carga de trabalho e exigências de desempenho precisam ser identificados, avaliados e tratados — com documentação.

A pergunta que todo empregador faz quando descobre isso é direta: "quanto custa não fazer?". A resposta envolve três camadas de prejuízo: a multa administrativa da fiscalização, os custos de um processo trabalhista e o custo invisível de operar com uma equipe doente. Este artigo quantifica o que é possível quantificar.

A multa administrativa: NR-283 e a tabela de infrações

As multas por descumprimento de Normas Regulamentadoras são calculadas pela NR-283, que classifica cada infração por gravidade e vincula o valor ao número de empregados expostos ao risco. A ausência de identificação, avaliação e controle dos perigos psicossociais no PGR é tratada como infração grave a gravíssima, porque atinge diretamente a saúde e a integridade dos trabalhadores.

Na prática, o valor de referência mais citado pela fiscalização para infração gravíssima é de R$ 6.708,54 por empregado exposto — e o valor dobra na reincidência. Para uma empresa de 40 funcionários, uma única autuação sem nenhum desconto pode passar de R$ 268 mil. Não é um custo de papel: é uma autuação real, com prazo de cumprimento e possibilidade de interdição de atividade quando o risco é iminente.

A faixa completa: de R$ 1.000 a R$ 50.000 por infração

A NR-283 estabelece faixas por gravidade: infrações leves partem de valores na casa de R$ 400 a R$ 1.000; médias, de R$ 1.000 a R$ 2.500; graves, de R$ 2.500 a R$ 6.708; e gravíssimas partem de R$ 6.708, podendo alcançar R$ 50.000 por infração, multiplicados pelo número de empregados expostos.

O detalhe que pega muita empresa de surpresa é o multiplicador: a multa não é "por empresa", é "por empregado exposto ao risco sem avaliação ou controle". Em uma fiscalização de rotina, todo o quadro da empresa pode ser considerado exposto — afinal, riscos psicossociais afetam qualquer pessoa que trabalhe sob gestão.

Além da multa: o processo trabalhista

O segundo caminho de prejuízo é judicial. Um ex-funcionário que desenvolveu quadro de estresse, burnout, ansiedade ou depressão pode acionar a empresa na Justiça do Trabalho reivindicando danos morais e materiais. Nessas ações, a perícia costuma pedir o PGR da empresa — e a ausência do inventário psicossocial vira a prova central de que o empregador descumpriu o dever de prevenção do art. 157 da CLT.

Perdas históricas de processos desse tipo somam dezenas de milhares de reais por caso, somando danos morais, danos materiais (afastamentos, tratamento) e honorários. E o desfecho mais desconfortável: a sentença frequentemente determina que a empresa realize a avaliação que evitou fazer — agora, sob supervisão judicial e com fiscalização decorrente.

O cálculo que convence qualquer gestor

Compare os dois cenários para uma empresa de 30 funcionários: sem avaliação, o risco combinado de uma autuação (30 × R$ 6.708,54 ≈ R$ 201 mil) e de um único processo perdido (R$ 30 mil a R$ 100 mil) passa de R$ 230 mil. Com avaliação documentada: uma ferramenta como o PsicoRisk custa R$ 97/mês — menos de R$ 1.200 no ano, com laudo datado, pronto para auditoria, para quantas empresas você atender.

A matemática não é do software, é do risco: o custo de fazer é ordens de magnitude menor que o custo de não fazer. E, diferentemente da multa, o investimento ainda melhora o clima, reduz afastamentos e vira argumento comercial na consultoria.

Conclusão

A multa da NR-1 por ausência de avaliação psicossocial parte de R$ 6.708,54 por empregado exposto, dobra na reincidência e chega a R$ 50.000 por infração — sem contar o processo judicial e a fiscalização decorrente de uma denúncia. A defesa é documental: laudo datado, PGR atualizado e plano de ação com prazo.

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